Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Publicação em destaque

As Crónicas do Senhor Barbosa IX

Depois de morrer, o interior do Senhor Barbosa nem apodreceu por dias e dias, como sempre acontece com todas as outras criaturas deste Reino natural de homens, bichos e flora tão despudorada, inseridos em algum ímpio crescimento desordenado. Depois de morrer, ainda pareceu viver mais alguns anos e todos quanto o observaram assim o consideraram, pois, por conseguinte, era vivo que o sabiam, nunca morto, e aos vivos ninguém parece muito particularmente interessado em passar certidões de óbito precipitadas. Depois de morrer, o Senhor Barbosa, ainda escreveu a sua própria elegia. - Esta! - Pôs-se à janela e começou a ditar palavras muito baixinho, e estas iam-se escrevendo por si até ficarem completas. Nela, descrevia o seu fim prematuro, e quanto tempo precisaria para convencer os outros de que realmente falecera em virtude de tanto desprezo, tanto desrespeito pela sua simples condição eremita de Homem só! - Quando acabou apercebeu-se da inutilidade do que tinha escrito, mas, não o rasu…
Mensagens recentes

Correntes D'Escritas 2018

“As palavras envergonhar-se-iam do corpo que as escreve. Seria, provavelmente a maior ironia do mundo dos homens. Um ser nunca é digno de ser maior do que as suas palavras. O que escrevemos é sempre maior do que nós. O que tendemos a ser é o que a realidade nos pede. Ser é apenas uma prerrogativa dos deuses e alguns homens são geralmente incompreendidos. Somos tão pequenos ante o que escrevemos e só por isso o que se escreve nos atormenta porque, por vezes, se escreve mesmo”.
Hélder Simbad - Escritor Angolano - Mesa 5 nas Correntes do dia 23-02-18

Charles in Charge

Valha-me o John, ao menos!

Chão

Não sei se te lembras de que dia foi hoje
Dos sonhos alcoólicos de grandes e-feitos
Das cirroses de nuvens de gomas
Se morreste também algures de ressaca
Tu que sorrias sempre com o fígado

Não sei
Se quando caminhas te lembras
De andarmos descalços sobre os mesmos vidros
As mãos umbilicais e os copos envaidecidos
Se quando caminhas
Nas ruas que hoje foram nossas
E hoje são de ninguém
Ainda saltas ou se te sangram os pés
Se pavimentaste o chão
Como fizeste com o mundo
Se já não vês o quadro
E não te lembras do Zeppelin de chumbo
Que atirámos ajoelhados ao espaço

Algo em mim não quis saber
Que quando florimos no deserto já éramos História
Que da dinamite que dizimou a paixão
Nasceria um peixe-lápis
(Quanto não pode um sinónimo contra um canhão)
E com ele desenharia esta salva de tiros em verso
Para que o teu chão e o teu mundo nunca esqueçam
O que teimas em esconder debaixo da pele
Mas a pele teimará para sempre em te lembrar

Rita Pinho Matos
in FLANZINE # 16 "Pele"

Amor eterno?

New Man on the Moon

Para ler até ao fim.
https://twitter.com/JimCarrey

Saudades de ver bons Filmes (XVIII)

...absolutamente ternos e belos. Maravilhosos.


Extraordinariamente perfeita a utilização do "Adagietto" (da Sinfonia N°5) do Mahler neste filme. É como se a música, sem recurso a mais artifícios, nos colocasse na frustração, na pele inquieta, na paixão incompleta do compositor Gustav von Aschenbach, personagem exemplarmente interpretado pelo Dirk Bogarde, e nos fizesse também sofrer ao assistirmos o desenrolar da sua obsessão. Brilhante.

Davam grandes passeios Existenciais aos Domingos

E Deus, Pina?

Catolicos recasados sao aconselhados a abster-se de ter relacoes sexuais
Fui baptizado, e depois sacramentado com a primeira comunhão e ainda mais consagrado com a solene. Passei por tudo isto e só escapei por pouco de ser crismado, porque tinha um teste importante nessa semana. Mais tarde, casei-me pela igreja também e, em todas estas ocasiões usei sapatos que me foderam todo desde as plantas dos pés até à cabeça. Desde aí, desenvolvi pouca tolerância para esta forma de ser igreja. Tanta hipocrisia não é caminho algum para um paraíso decente.


Em vez de se estropiarem uns aos outros rebatendo todos estes séculos de instituição arreigada em discussões inúteis, vejam antes como o Fellini as deita por terra em uma cena brilhante do seu filme de 1972 "Roma". É hilariante, tanto, que muitas cenas desta sua película foram realmente censuradas pelo Vaticano, o que só indica a 'mouche' do alvo para onde apontou. Contra dogmas enraizados, só o humor nos salva. E Deus ri muito, …

Estender a Pele pela Boca

A Não Perder!